Como ser bem sucedido ao alugar um imóvel

imagem ilustrativa de alugar um imóvel

O primeiro trimestre do ano costuma apresentar um incremento no movimento de locações na cidade, seja porque as pessoas vão e vêm das mais diversas regiões do país ou do exterior para começar um novo projeto de vida, um novo curso, um novo emprego, ou simplesmente porque tomaram por resolução de Ano Novo, entre outras promessas, mudar de endereço.

O fato é que este é um momento de grande agito, e provavelmente, assim como você, outras pessoas também têm em vista os mesmos imóveis, e estão se interessando pelas mesmas coisas, afinal, os processos decisórios de quem busca um imóvel para ocupar, passam todos por mais ou menos os mesmos critérios.

É nessa hora que nós, profissionais, mais ouvimos comentários do tipo “eu estava com outro em vista, mas acabei perdendo” ou “estou cansado de procurar, e toda vez que vejo algo interessante, já está indisponível ou sendo alugado para alguém mais”.

É isso aí… e assim o seu tempo vai para o ralo, e você pode até mesmo acabar pressionado a resolver seu problema da forma como não gostaria.

Então aí vão algumas dicas de nossa observação do dia-a-dia para que você trilhe um caminho mais seguro e otimize os seus resultados ao alugar um imóvel.

Não coloque o carro adiante dos bois

De nada adianta sair buscando, pedindo informações e visitando imóveis sem antes ter bem claros os seus objetivos, suas possibilidades e suas condições negociais.

Para dar um roteiro prático, responda antes às seguintes perguntas:

  1. quanto à localização, o que o imóvel precisa no mínimo atender? Ex. proximidade com parentes, com escola das crianças, com áreas comerciais, com transporte público para determinados locais, com o trabalho; ou pouco lhe interessa a proximidade, mas um determinado estilo de vida ou ambiente social. Defina isso com precisão, saiba responder o por que de suas exigências quanto à localização, e sua vida será bem mais fácil. Não basta simplesmente escolher o bairro A ou B ou C, é preciso entender os motivos. Com o motivo certo, muita gente boa acabou encontrando novas possibilidades de localização que antes nem havia imaginado, e que cairam como uma luva nos seus objetivos.
  2. quanto às dependências, do que você realmente não pode prescindir? Ex. número mínimo de dormitórios e banheiros (todos sabemos que quanto mais, melhor, não precisa dizer), outros ambientes e dependências privativas e comuns; e pergunte-se novamente se aquela quadra poliesportiva que seria bom que tivesse, é mesmo imprescindível.
  3. quanto ao mobiliário, como deve estar o imóvel? Ex. se você tem todos os móveis e não pode ou não gostaria de abrir mão deles, e se eles são grandes ou você hoje ocupa uma casa com cômodos amplos; se você não aceita de maneira nenhuma comprar guarda-roupas para guarnecer sua nova casa, se você pretende entrar quase só com a roupa do corpo no imóvel, talvez seja o caso de explicar isso ao profissional que lhe atende, para que você não perca seu tempo considerando imóveis que não se encaixarão de maneira nenhuma nos seus objetivos.
  4. quanto ao custo total com a moradia, quanto no máximo você poderá despender? Todos nós sabemos que o aluguel, como despesa que é, quanto menor, melhor, não é mesmo? Então, simplesmente dizer isso ao corretor que lhe atende, não vai melhorar em nada a condição dele ajudar você. Tenha clareza de quais são suas máximas possibilidades, e não tenha medo de revelá-las: não é porque você diz quanto poderá pagar que necessariamente o profissional vai lhe “empurrar” um imóvel mais caro que o necessário. Também não adianta aumentar o orçamento só porque você está vendo que o que vem sendo ofertado no mercado e que lhe interessa está “o olho da cara”. Não é recomendável que os custos com moradia ultrapassem 30% de sua renda total, ou da sua família, a não ser em casos muito especiais, e caso você enverede por esse caminho, corre o risco de perder seu tempo tendo propostas recusadas por insuficiência de renda.

Busque com foco nos seus objetivos

Sabendo com clareza o que realmente precisa, e as situações que está disposto a enfrentar, evite desviar de seus objetivos. Provavelmente você vai recorrer a catálogos de imóveis existentes às pencas na internet, revistas, sites, etc. Tudo bem, não há problema algum. Mas pode acontecer de você não encontrar nada imediatamente, e mesmo assim, nossa dica é: não se desespere, ainda é cedo para mudar seus planos.

Se tiver a oportunidade, fale com um profissional corretor de imóveis da região de interesse, explique com clareza seus objetivos, e provavelmente ele poderá lhe dizer se o que você está planejando será mais ou menos possível de se encontrar no mercado naquele momento. Talvez ele possa lhe indicar algo que não esteve ao alcance de suas pesquisas, ou talvez ele lhe faça indicações ou recomendações que tornem o seu plano de alugar um imóvel mais perto do possível. É o trabalho dele.

Selecionados, só visite imóveis depois de confirmar pelas mais diversas perguntas se eles servem pra você. Isso vai lhe economizar tempo, dinheiro e alguns desprazeres.

Antecipe suas condições negociais

Estabeleça antes suas condições negociais. Um contrato de locação é um acordo de execução a médio ou longo prazo, onde se estabelece um relacionamento com o dono do imóvel ou seu administrador, e é muito importante que você desde logo já preveja como vai ser esse relacionamento, que estará refletido desde o começo no contrato de locação.

Em geral, para que esse vínculo seja estabelecido, serão requeridos de você 4 coisas apenas:

1 – renda suficiente ao cumprimento das obrigações assumidas;

2 – garantia compatível com o perfil do imóvel e da locação proposta;

3 – idoneidade comercial e cadastral;

4 – transparência sobre quem, como e por quanto tempo vai usar o imóvel.

Saber antecipadamente que garantias poderá oferecer e ter em mãos a documentação necessária à aferição das 3 primeiras condições, com certeza lhe poupará certos inconvenientes.

Prepare-se pensando em todas as possibilidades que você tem. Sempre há proprietários ofertando excelentes negócios para um inquilino, em contrapartida a determinadas garantias locatícias com as quais melhor se afinizam, e como a sorte favorece a mente treinada…

Se tiver dúvidas de como preparar-se, siga esses links e conheça as modalidades de garantias locatícias e a documentação básica que deve acompanhar a sua proposta de locação.

Formule sua proposta

Se você realmente deseja alugar um imóvel determinado, e quiser que sua proposta seja levada à sério, esqueça a ideia de que basta ligar para o proprietário, ou para o corretor que lhe apresentou o negócio, dizendo que quer abaixar o preço ou solicitando uma modalidade contratual não prevista.

Uma proposta séria de locação deve conter, pelo menos, a descrição dos 4 itens citados acima, isso quando não lhe for exigida a documentação probatória, para que seja ao menos considerada.

Sem essa clareza, você corre o risco de estar esperando por uma resposta que nunca virá, ou que, caso venha, já não lhe seja útil. Peça ao corretor que lhe atende para ajudá-lo a elaborar sua proposta, estabeleça prazos, exija resposta. O corretor deverá lhe orientar quanto ao caso em particular e, junto com você, construirá a proposta com a maior chance possível de ser aceita.

Tenha em mente que a proposta é uma manifestação séria, que uma vez aceita, deverá ser cumprida, e portanto, você só fará uma proposta para aquele imóvel que você tem convicção de que quer contratar.

Contrate com diligência

Parabéns! Depois de percorrer essas etapas, você provavelmente está em vias de realizar um bom negócio, já que tanto o imóvel, quanto as as principais condições, lhe atendem aos objetivos.

Restam os cuidados finais, necessários ao seu sossego:

1 – verificar se o locador é legítimo possuidor do imóvel – os corretores de imóveis já fazem isso por você;

2 – verificar se há vícios graves no imóvel que possam impedir o seu uso seguro e, se for o caso, não contrate;

3 – verificar se há vícios leves, e caso existam, que fique constando em contrato para que você não se veja responsável por corrigí-los depois;

4 – conferir todos os encargos que, além do aluguel, são responsabilidade do inquilino pagar, desde impostos, taxas, contas de consumo, entre outras, e evite surpresas desagradáveis;

5 – ler o contrato e pedir todos os esclarecimentos necessários antes de assiná-lo.

Via de regra, é responsabilidade do inquilino todas os serviços e obras necessários à manutenção e conservação do imóvel na vigência da locação, inclusive respondendo em caso de haver incêndio, razão pela qual, na maioria das vezes, exige-se cobertura de seguro. Para sua segurança, contrate uma apólice imediatamente.

Também em geral não se admite que o inquilino faça modificações no imóvel, ou se o fizer, fica obrigado a removê-las depois e, principalmente, não poderá exigir do proprietário devolução ou pagamento por melhorias executadas no imóvel. Caso você tenha o desejo de fazer alterações no imóvel, trate o assunto antes de contratar, e jamais espere modificações do combinado ao longo do contrato, pois o proprietário tem todo o direito de não aceitar.

Outros detalhes importantes sobre o negócio você encontra aqui.

Execute com responsabilidade

Contratada sua locação, comece bem, planejando sua ocupação e uso desde o início. Informe-se sobre as condições de mudança no condomínio, restrições à circulação e estacionamento de caminhões na região, horários permitidos, etc. Conheça as regras da vizinhança e, em Roma, faça como os romanos.

Durante a locação, a obrigação básica do proprietário é garantir a posse e uso tranquilo do imóvel pelo inquilino. A do inquilino, conservar o imóvel e pagar pela locação e os encargos.

O inquilino tem o direito de permanecer no imóvel até o fim do contrato, ou de devolvê-lo antes, se quiser, pagando uma multa em compensação. 

E, sempre vale a pena lembrar, uma locação tranquila, com uma finalização correta, torna-se um ativo interessante para o inquilino, podendo até mesmo facilitar futuras locações por poder contar com a referência ou indicação do locador anterior. Quase ninguém conta com isso, mas deveria considerar. Afinal, o mundo está cada dia menor.

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